Outro filme brasileiro que fui ver durante minha passagem por São Paulo foi “Xingu”. Adorei do começo ao fim, é daqueles que a gente não quer que acabe nunca.
O diretor é Cao Hamburger, o mesmo de “O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias”, que ficou entre os oito finalistas para o Oscar de filme estrangeiro em 2008.
“Xingu” é filme de ficção com cara de documentário. Conta a aventura dos irmãos Villas-Bôas durante a expedição Roncador-Xingú, na década de 40, que acabou levando à criação do primeiro parque indígena do país, em 1961.
Os três irmãos — Claudio, Leonardo e Orlando — saem como aventureiros pelas profundezas do Brasil e se encontram com índios que nunca antes haviam visto homens brancos.
Não tem como fugir do deslumbramento da descoberta, do temor do perigo. Me senti dentro da canoa, queria abraçar o cacique, bisbilhotar os detalhes da aldeia.
Mas a ingenuidade passa rápido. Logo os irmãos estão negociando com militares e se metendo com as índias. Talvez por medo da pieguice, o diretor apresenta os dois romances do filme de forma bem leve, delicada, quase por acaso, embora sejam essenciais para a história.
Cao foca nos irmãos, nas intrigas pessoais e idealismos. Os índios seguem um mistério, com suas etnias variadas, línguas estranhas, rituais. De uma forma respeitosa, é como se o diretor se colocasse ao lado dos irmãos, como um quarto integrante.
Talvez tenha gostado tanto do filme pelas lembranças que trouxe. Trabalhei por quase um ano como “educadora” de uma exposição de arte indígena, em 1999 ou 2000. Era dentro do evento “Brasil 500 Anos”, no Parque Ibirapuera.
Levava a criançada, além de grupos de idades variadas, para ver a “joia” da exposição, o tal do “manto tupinambá”, e contar as histórias dos índios canibais. Passei uns dois meses estudando isto, além das máscaras, dos rituais de iniciação dos meninos, da fabricação das urnas funerárias, dos cestos, da mandioca.
A mostra ficava no prédio conhecido como Oca, de cimento. Apesar do nome, não tinha nada de “indígena”. Era gelado lá dentro, e as peças ficavam protegidas por vitrines de vidro. Ainda assim, foi um dos trabalhos mais legais que já fiz.

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